98 Telinha e seus gatinhos

no dia que eu me zangar
mato voce de carinho

Ze´ Limeira

15.1.09

sobre as guerras


as guerras sempre aconteceram. morre gente de um lado, morre gente do outro. morrem crianças, mulheres, velhos, cachorros, gatos, morrem soldados, morre a esperança.

a gente, eu, você, seu pai, sua mãe, seu vizinho, a gente não pode fazer nada. nós não temos o poder para mudar nada.

a gente não pode pegar os líderes de um lado e do outro e obrigar que tenham consciência do que estão fazendo. a gente não pode desradicalizar os radicais. a gente não pode evitar nada.

a gente sabe que não adianta vestir branco e pedir paz em passeatas na orla do rio, abraçando monumentos históricos e fazendo fotos bonitas para a capa do jornal. mas a gente vai acabar fazendo passeata porque é melhor do que não fazer nada.

não há como a gente fazer com que os dois lados entendam que os dois lados estão errados. não dá para discutir com quem tem certeza.

eu escrevo este texto na minha casa, protegida, onde esta guerra não me alcança. eu não sei o que é perder quem eu amo numa guerra cruel. eu não sei o que é viver no terror da bomba vai que cair. eu não vivo na expectativa de que a qualquer momento soldados inimigos vão arrombar a minha porta e me matar. então, eu escrevo sobre uma coisa sobre a qual eu não vivi rigorosamente nada, e agradeço aos céus por isso. e eu falo de paz, estando tão longe da guerra. tão longe que posso ser taxada de estúpida por não escolher um lado em detrimento de outro. de tola, por preferir que as pessoas que mandam escolham a paz para seus povos. e, como não dá para fazer a paz daqui de onde a gente está, a gente briga aqui mesmo, imitando a guerra lá longe.






eu sei que o que eu escrevi não vai adiantar nada. e sei que este texto vale para as guerras que acontecem agora, para as que aconteceram antes e para as que virão depois.



ps: amado marido leu o texto e disse que parece que eu estou afirmando que não adianta nada ser contra a guerra. não é bem isso que eu quis dizer. eu quis dizer que quando dois querem brigar não adianta a gente fazer passeata e vestir branco. e que brigar aqui não traz a paz para lugar nenhum.

3 Comments:

Blogger Ana Paula said...

Telinha, vc é uma criatura de uma pureza de coração que emociona a gente.
Eu sou menos iluminada e me horrorizo, me indigno, me debato com a estupidez e o terror reinantes. E como estou na mesma posição de impotência que vc, procuro apenas me informar, delinear uma posição, porque o que tem de gente dizendo asneira por aí (inclusive e principalmente na televisão) não tá no gibi.
Eu gosto muito dos posts do professor idelber (www.idelberavelar.com), no Biscoito Fino. Ele é radical, incisivo até demais, mas documenta tudo, mostra fatos, ilustra com depoimentos reais, e não fica no achismo sentimental. Recomendo a leitura, nem que seja praq construir contrapontos.
Te amo, querida.

9:15 AM

 
Blogger stella said...

pois é, nápaula. os dois lados afirmam razões e botam os mortos na balança.

para mim, sinceramente, a vontade é pegar os presidentes dos dois países pela orelha e obrigá-los a passar pelo que o povo deles passa. pq eles, né, os que mandam, não sofrem o que o zé ninguém tá sofrendo. eles estão protegidos, suas famílias estão protegidas, seu dinheiro está protegido, a comida está na mesa e pronto. os outros que se danem.

é isso que me dá vontade de bater neles.

1:09 PM

 
Blogger ila fox said...

Vou lá onde tem guerra, com um cartaz bem grande escrito:

"Mamãe diz que nos amássemos, e não que nos amassemos". :-P

Tá o assunto é sério, e realmente não tem muito o que pode ser feito... e isso é uma bullshit.

3:33 PM

 

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